sexta-feira, 26 de julho de 2013

o vilarejo

 Fomos morar em um vilarejo, perto de um vale as margens de um grande rio, o único meio de transporte da região. O vilarejo era rico em tubérculos, frutos silvestres, mel pesca e caça. Os moradores eram caçadores pescadores e artesões, faziam pequenas roças de aipim, milho e amendoim, pois não podia faltar em suas refeições. Uns trabalhavam com junco, taboa, cipó, tecendo cestos esteiras e bolsas. E outros trabalhavam com pisará, moldando potes, vasos, e panelas. E os marceneiros faziam cadeiras, bancos e canoas. as mulheres teciam rendas, socavam o milho no pilão fazendo a quirela e o amendoim para o chá que aquece na noite fria.
 Quando anoitece começa o movimento de jangadas e canoas que sobem e descem o rio. Crianças e adultos mergulham nas águas prateadas pelo reflexo da lua. O único boteco do lugar abria a porta, mulheres falam alto e caminham entre as vielas, os homens vão pescar e outros vão caçar levando seus cães. Quando amanhece, as pessoas vão para casa somente o rio não para. Para nossa surpresa eles trabalhavam anoite e descaçavam durante o dia.

O saci, mito ou verdade ?!

 Dona Maricota, moradora da fazenda, afirma categoricamente a sua existência. E nos contou que ainda criança sua mãe pediu que fosse buscar gravetos, para acender o fogo pela manhã. Após se afastar de casa percebeu que alguém a seguia, se arrepiou e diminuiu o passo, e começou a pisar leve olhando para direita e para esquerda. De repente, a sua frente formou-se um redemoinho que ora ia para frente e voltava em sua direção. Ela começou a rezar tão rápido que quase não saia as palavras
 Foi então que observou dentro do redemoinho uma sombra escura, que ela jura ser o saci . Voltou correndo, quando chegou em casa sua mãe lhe perguntou: cadê os graveto?
 Ela contou o que viu, sua mãe rapidamente foi até seu quarto pegou um velho terço colocou em seu pescoço e disse: Vá buscar os graveto menina !
 

Monjolo

Monjolo era o nome da fazenda onde fomos morar. Antiga, com casas de pedras, muitas não habitadas. O casarão  era enorme cercado por coqueiros e uma velha paineira a frente. Tudo tinha aparência de abandono, porem na época da escravidão teria sido grande o movimento ali. A senzala ainda estava em bom estado, o moinho apesar de não funcionar permanecia em pé com toda sua engrenagem no devido lugar, o monjolo da mesma forma em bom estado.
  Fomos informados, que ali teria sido a maior fazenda na época que o café valia ouro ( ouro verde), inclusive foi construída uma ferrovia para o transporte das sacas. Mas ocorreu que grandes e pequenos agricultores voltaram-se para o plantio de cafeeiros, que resultou em grandes safras, ocasionando a baixa no preço. Muitos fazendeiros foram morar na capital deixando a fazenda nas mãos de seu capatas, e tornando-se empresario em outros ramos. Os colonos se desperssavam  em busca de outros senhores, alguns ficavam nas fazendas plantando como meieiros
  Nosso capatas Sr. Julião, orientava aos colonos a arrancar os pés de café para plantar feijão, arroz, milho entre outras coisas, pois a fazenda era coberta de cafeeiros. O rio que atravessava a fazenda era farto em peixes, tínhamos frutas em grande variedade. Aos sábados todos deixavam o trabalho mais cedo, os homens iam para o rio tomar banho com sabão de pedra e vestiam suas melhores roupas. As mulheres faziam o mesmo, porem em casa, nas tinas. Vestiam seus vestidos de chita e colocavam sua águas de cheiro (perfume artesanal sem álcool). Apos todo o preparo iam ao fandango (dança em pares).
  

terça-feira, 4 de junho de 2013

A mudança

  Certo dia meu pai disse que íamos paras terras do Sr. Úngras. Fiquei tremendo de medo, Sr. Úngras tinha fama de mau, não dormi nesta noite. No dia seguinte ,logo pela, manhã minha mãe preparava o café em quanto nós arrumávamos as traias. depois de muito tempo a espera, víamos na curva um carro de boi, era o Sr. Úngras.
  Ele era baixo, semblante sério e tinha um chicote na mão. Quando me viu falou que tinha uma filha de mesma idade e poderíamos brincar juntas.
  Ao chegar na fazenda, conheci Zulmira ela era franzina e tinha cabelos lisos e claros. Ela olhou para mim e sorriu com timidez trazia nas mãos uma boneca de pano. Levantei me cedo abri a janela e vi o retireiro que ordenhava, peguei o caneco e corri para o curral. Todos os dias pela manhã tomava café com minha amiga, sua irmã nos servia geleia de goiaba, queijo e broa de milho. Apos comer íamos passear a cavalo, almoçávamos e íamos para a escola retornando apenas atarde.
  As 18:00 horas todos tinham terminado seus trabalhos, ião para o pé do rádio para ouvir a HORA DO BRASIL. O informativo começava as 19:00 horas, todos prestavam muita atenção nas notícias, e ao termino aplaudiam.
  Eu e Zulmira desfrutávamos de tudo de bom que havia na fazenda. Como ela não podia ir a colonia tínhamos um código secreto, conversávamos através do sino da casa sede onde ela morava. O pai dela era um homem de gênio forte, e muitas vezes presenciávamos maus-tratos aos colonos. Seu irmão Angelim saiu da fazendo pois não concordava com as atitudes do pai.
  Em uma manhã Zulmira tocou o sino, corri para o casarão, lá estava ela  com seu vestido de organdi, laços de fita no cabelo, meias três quartos e sapatos pretos com fivelas douradas. Ela olhou para mim com os olhos cheios de lagrimas, seu pai disse para ir tomar café com ela. Sua irmã contou que ela iria embora para um colégio interno, não conseguimos falar durante a refeição.
  Quando terminamos seu pai levantou-se e colocou as mala no trole, sem dar muita importância as despedidas, assim que se acomodaram no veículo seu pai tocou os cavalos. Ela não olhava para trás mas sabia que eu a seguia, os cavalos ganharam velocidade sob o chicote do Sr. Úngras e eu não consegui acompanhá-los, gritei seu nome ela olhou para trás, acenou com a mão e o trole desapareceu na curva.
  Zulmira nunca mas voltou, seu pai faleceu e seu irmão nunca tivemos notícias. Sua irmã Isaltina se casou com um rapaz mais jovem, que não perdeu a oportunidade de tornar-se  o senhor da fazenda.

 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nego d'agua

  Tibúrcio, um caboclo alto, magro, de cabelos lisos e escuros, pés descalços. Possuía um pequeno sítio onde morava com sua mãe. Pouco trabalhava em suas terras, na época certa plantava feijão milho e mandioca. Nascido naquela região, tirava a maior parte de seu sustento da natureza: palmito, frutos silvestres, mel, peixes, caça de animais e remédios.
 Não saia as sextas-feiras nem as noites de lua cheia, acreditava em lobisomem e boi tá-tá, dizia até ter visto um, falava com tanta certeza que quase nos convencia a acreditar. Pescava quase todas as noites, e comentava sobre um amigo que lhe acompanhava, indicando onde encontrar os maiores peixes. Todos interessados com as supostas habilidades do homem queriam conhece-lo, Tibúrcio se comprometeu a levá-los no dia seguinte. Porem seu amigo não apareceu, fizeram outras tentativas mas sem resultado.
  Sem notícias do amigo Tibúrcio ficou algum tempo sem ir a pesca, certo noite foi ao rio onde costumava pescar, empurrou sua canoa que deslizava lentamente sobre as águas. De repente levou um susto surgiu das águas seu amigo, abriu um sorriso de contentamento, naquele dia tiveram uma boa pescaria.



HISTÓRIA DE PESCADOR !!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Seu Chico

  Filho de escravos, recebeu como herança as terras onde morava com a mulher, que veio a falecer ainda jovem, seus dois filhos tinham saido a procura de uma vida melhor. como tinha idade avançada plantava somente o necessário para seu sustento, caminhava lentamente com o ausílio de uma bengala.

Falava com saudades de tudo que tinha vivido naquele lugar, que para ele era um santuario, tudo que precisava para fazer seus chás a mata lhe oferecia, sabia onde encontrar cada um das ervas e raizes. Sempre pronto para ajudar quem necessitava, oferecia seus cuidados farmaceuticos com muito sucesso.
Era procurado por pessoas vindo de outras regioes pelas suas habilidades. Como era idoso os vizinhos o monitoravam pela fumaça da sua chaminé, quando viamos a fumaça, sabiamos que estava tudo bem, caso isso não acontecia iamos ver o que ocorria. Certo dia para surpresa, recebeu a visita de um dos filhos, acompanhado da esposa e seus netos, quase não acreditou e comoçou a pensar como acomodaria a família, porque não tinha muito ao oferecer. Seus netos começaram a fazer perguntas, seu Chico não perdeu a oportunidade e falou sobre os benefícios das ervas


             





segunda-feira, 6 de maio de 2013

O senhor do engenho: Parte 4


  Do outro lado do rio que cruzava a fazenda, morava senhor Honório, um emigrante italiano que veio para o Brasil na época em que a cana de açúcar e o café estavam em alta. Seu casarão era amarelo com janelas azuis, as casas dos colonos recebiam a mesma pintura, que se destacavam entre a mata e a terra vermelha.
  Conhecido como o senhor do engenho, devido ao alambique que produzia uma das melhores cachaças da região. Tinha como seu braço direito senhor Pessunia, de estatura mediana e pele queimada do sol, aparentava ter 50 anos, sempre usava uma camisa branca, calça marrom com suspensório e bota da mesma cor e na cabeça chapéu panamá branco.
  Atrás do casarão havia um pomar com muitas variedades de árvores frutíferas, era uma tentação para as crianças da colonia, que no caminho da escola arriscavam-se passando pela cerca de arrame farpado para pegar as frutas.
  Na época tínhamos poucos anos de escolaridade, assim que aprendíamos a ler e escrever começávamos a trabalhar, os meninos na lavoura e as meninas nos afazeres domésticos, enquanto as mães participavam da colheita do café para ajudar no orçamento da família. A noite após o jantar os homens se encontravam para conversar enquanto as mulheres preparavam o almoço do dia seguinte.
  Na sexta-feira todos retornavam mais cedo do trabalho, e os homens se reuniam com os outros grupos para saber onde aconteceria o cateretê ( considerada uma das mais genuínas danças rurais brasileiras, cujo nome vem da língua tupi. É uma espécie de sapateado com bate-pé ao som de palmas e violas, sendo bastante conhecida nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Para celebra safras, o amadurecimento de frutas, uma boa pescaria, etc), a dança era feita em lugar fechado, onde só participavam os membros que se chamavam de companheiros de fé.